Incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro: quais as possíveis causas da tragédia e como ela poderia ter sido evitada

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Incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro: quais as possíveis causas da tragédia e como ela poderia ter sido evitada

Um dos maiores conjuntos de tesouros da ciência e história nacionais sofreram uma irreparável perda no domingo, dia 02 de setembro: o Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, sofreu um incêndio de grandes proporções, ainda de causas não confirmadas, que destruiu grande parte de sua estrutura – e, pior, de seu valiosíssimo acervo.

O MUSEU NACIONAL

Fundado por D. João VI em 1818, o Museu Nacional completou seus 200 anos em junho de 2018, o que fazia dele o mais antigo do país.

Além de seu muito extenso e variado acervo (que contava com cerca de 20 milhões de itens de diferentes áreas, como paleontologia, antropologia biológica, geologia, arqueologia, botânica, zoologia, entre muitas outras), o Museu Nacional representava um conjunto memorial de momentos importantes da história e política brasileira.

Foi palco, por exemplo, de marcos importantes como a assinatura da Declaração da Independência em 1822 pela princesa Leopoldina e a assinatura da primeira Constituição do Brasil, em 1824.

O INCÊNDIO

Ocorrido entre a madrugada do dia 2 para o dia 3 de setembro, o incêndio durou cerca de seis horas. A Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) veio a disponibilizar carros-pipa para os bombeiros, e mesmo assim não foi possível evitar a perda de grande parte do acervo.

Embora o corpo de bombeiros tenha sido acionado e estivesse trabalhando insistentemente nas chamas, fatores como as proporções do desastre, características estruturais do prédio (e do acervo, que continha elementos inflamáveis) e condições de controle do fogo (como a falta de abastecimento dos poucos hidrantes que haviam nos arredores) agravaram o quadro, dificultando muito o domínio da situação.

POSSÍVEIS CAUSAS

O Museu Nacional é subordinado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e vem passando por dificuldades administrativas relativas a corte de orçamento. Trata-se de um prédio muito antigo que não possui preparação ou equipamento previstos por lei para combate a incêndios.

As irregularidades do estabelecimento eram diversas: além de se tratar de uma estrutura frágil que não dispunha de portas corta-fogo, o imóvel não tinha seguro ou Certificado de Aprovação atualizado (que atesta, entre outros fatores, as condições de segurança exigidas pela legislação – como extintores e sinalização de segurança, por exemplo).

Devido aos diversos sinais de má conservação da edificação (paredes descascadas, fiação antiga e exposta, etc.), providências estavam em andamento para que o local passasse por um processo de revitalização. Entretanto, por questões de negligência burocrática e orçamentária, não houve tempo para que fossem tomadas as medidas cabíveis, segundo as autoridades competentes.

PREVENÇÃO

A tragédia que devastou o Museu Nacional pode acontecer a qualquer momento nos mais diversos estabelecimentos. É com o intuito de prevenir esse tipo de desastre que é exigido que o local tenha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.

O AVCB certifica que a edificação possua as condições de segurança contra incêndio (conjunto de medidas estruturais, técnicas e organizacionais integradas para garantir à edificação um nível ótimo de proteção no segmento de segurança contra incêndios e pânico).

IRREGULARIDADES

Apesar da exigência, são muitos os estabelecimentos que funcionam sem o AVCB. Para listar alguns exemplos, nenhum museu de Campinas e Itu estão regulares com o Auto – nem mesmo o Museu de Arte de São Paulo (MASP) possui o registro atualmente.

Locais como os museus citados neste artigo reservam uma parcela valiosa da história e ciência não só do Brasil, mas da humanidade. São espaços que contém itens que devem ser preservados com afinco.

É primordial que não apenas museus, mas quaisquer tipos de estabelecimentos estejam de acordo com as medidas de segurança: embora tenha sido divulgado que as causas do incêndio ocorrido no Museu Nacional ainda são desconhecidas; se estivessem regulares, entretanto, diminuiriam consideravelmente as chances de uma tragédia dessa natureza acontecer.